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Licitações Fantasmas: O Roubo Legalizado em Moçambique

Maputo, Moçambique — O termo “Licitações Fantasmas” tem ganhado notoriedade em Moçambique, e ele não se refere a histórias de pânico, mas sim a um problema real e sistémico que drena os cofres públicos: a corrupção enraizada nos processos de contratação e aquisição do Estado.


O Roubo Legalizado em Moçambique

Este fenómeno, embora não seja um termo oficial, descreve um esquema onde projetos de infraestrutura, bens ou serviços essenciais são licitados a empresas de fachada, ou a preços inflacionados, muitas vezes sem a devida execução do trabalho ou com a entrega de materiais de baixa qualidade. O resultado é um prejuízo bilionário para o Estado, com obras inacabadas e serviços ineficazes.

Como Funciona o Esquema

Empresas de Fachada: Em muitos casos, as licitações são vencidas por empresas que não possuem a capacidade técnica ou financeira para executar o projeto. Essas empresas são criadas com o único propósito de participar e vencer os concursos públicos, servindo como intermediárias para desviar fundos.



Inflação de Preços: Outra tática comum é a de inflacionar artificialmente os preços de bens e serviços. Um projeto que custaria 1 milhão de meticais pode ser orçado em 5 ou 10 milhões, com a diferença sendo distribuída entre os envolvidos no esquema.

Conluio e Falta de Fiscalização: A ausência de uma fiscalização rigorosa e a conivência de funcionários públicos são fatores cruciais para que estas práticas se mantenham. A falta de transparência e a fraca aplicação da lei tornam o combate a este tipo de crime uma tarefa hercúlea.
O Impacto na Sociedade Moçambicana
O impacto das “Licitações Fantasmas” é sentido diretamente na vida dos cidadãos. O dinheiro que deveria ser usado para construir hospitais, escolas, estradas ou para melhorar os serviços públicos é desviado. A consequência é a deterioração da qualidade de vida, a falta de acesso a serviços básicos e o aprofundamento das desigualdades sociais.

Organizações da sociedade civil e ativistas têm denunciado estas práticas e exigido maior transparência e responsabilização. A luta contra a corrupção é vista como um dos principais desafios de Moçambique para alcançar um desenvolvimento sustentável e equitativo.
O combate a este tipo de crime exige não somente a reforma das leis, mas também uma mudança de cultura, com uma maior participação cidadã e o reforço das instituições de fiscalização. A questão que permanece é: as autoridades estão dispostas a enfrentar este desafio?

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Marcelino S. Francisco é jornalista especializado em economia e políticas públicas. Atua há mais de 8 anos na cobertura de decisões governamentais, mercado financeiro e impacto social das medidas económicas. Já colaborou com portais informativos nacionais e internacionais.

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