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Cimento a 300 MT? Chapo diz que medida "mataria" o negócio

Daniel Chapo justifica preço do cimento e gera controvérsia

POR TOP24HORASNEWS

Presidente justifica preços altos para evitar escassez, mas dados de pobreza assustam. Entenda a controvérsia.: O Presidente da República, Daniel Chapo, abordou publicamente o custo do cimento em Moçambique durante uma visita ao distrito de Lugela, na província da Zambézia

Daniel Chapo justifica preço do cimento e gera onda de controvérsia

O cenário económico moçambicano foi recentemente agitado por declarações do Presidente da República, Daniel Chapo, sobre o custo dos materiais de construção. Durante uma visita oficial ao distrito de Lugela, na província da Zambézia, o Chefe de Estado defendeu a atual estrutura de custos do mercado, argumentando que uma redução forçada poderia levar ao colapso do comércio retalhista em diversas regiões.

As palavras do governante surgem num momento em que a população enfrenta uma inflação crescente, onde o acesso a bens básicos de infraestrutura tornou-se um desafio para a classe média e baixa. A posição oficial, focada na viabilidade do negócio, gerou reações imediatas entre economistas e cidadãos que esperavam medidas de alívio fiscal ou subsídios para o setor.

Argumentos de Daniel Chapo sobre o Preço do Cimento

A intervenção de Daniel Chapo justifica preço do cimento através da lógica da sustentabilidade da cadeia de suprimentos. Segundo o Presidente, impor um teto de 300 meticais por saco de cimento seria contraproducente para os revendedores que operam em zonas recônditas, onde os custos de transporte elevam o preço de aquisição na origem para valores próximos dos 400 meticais.

"Se o vendedor compra lá por 400 para revender a 500 e alguém diz que tem que vender a 300, ele deixará de fazer negócio", explicou Chapo durante a inauguração de uma escola em Lugela. Para o Executivo, a manutenção da atividade comercial é a única forma de garantir que o produto não desapareça das prateleiras, evitando o surgimento de mercados paralelos e a escassez absoluta de materiais em distritos distantes das fábricas.

O Impacto Social e o Aumento da Pobreza em Moçambique

A tese de que Daniel Chapo justifica preço do cimento como medida de proteção ao comércio choca-se com os dados estatísticos da realidade social do país. Estatísticas recentes indicam que a pobreza em Moçambique subiu de 46,1% em 2015 para mais de 65% atualmente, limitando severamente o poder de compra da maioria das famílias.

O custo elevado do cimento impede que milhares de jovens moçambicanos concretizem o sonho da casa própria, forçando a população a manter-se em construções precárias. Críticos do governo argumentam que, embora a lógica de mercado seja válida, o Estado deve intervir para tornar o cimento mais acessível, seja através da redução de impostos na produção ou da melhoria das vias de transporte que encarecem o produto final.

Por que o cimento é tão caro em Moçambique?

O preço elevado deve-se à combinação de altos custos de produção, dependência de matérias-primas importadas e, principalmente, à logística de transporte precária. Em distritos como Lugela, o frete pode representar uma fatia considerável do valor final pago pelo consumidor.

A estratégia de Daniel Chapo justifica preço do cimento levantou um debate profundo sobre as prioridades do governo. Enquanto o discurso oficial protege a margem de lucro dos revendedores para assegurar a disponibilidade, a sociedade civil questiona a falta de políticas habitacionais eficazes. O défice de moradias dignas continua a aumentar, agravado por uma economia que não consegue acompanhar as necessidades básicas de urbanização.

A indignação é palpável nas redes sociais e nos mercados locais, onde o cimento é visto como um "artigo de luxo" e não como um direito ao desenvolvimento. Para muitos moçambicanos, a explicação técnica do Presidente não resolve o problema imediato: a impossibilidade de comprar um saco de cimento com os parcos rendimentos mensais, num contexto onde o custo de vida atinge níveis históricos.

Daniel Chapo justifica preço do cimento e gera polémica

O posicionamento de Daniel Chapo em Lugela sublinha o equilíbrio precário entre a economia de mercado e a justiça social. Embora a proteção aos revendedores evite a escassez, a ausência de soluções para a acessibilidade deixa a população carente num beco sem saída em relação ao desenvolvimento das suas habitações.

O TOP24HORASNEWS continuará a monitorizar o mercado de construção civil e as possíveis reações do Ministério da Indústria e Comércio perante esta crescente pressão popular.

Cimento caro em Moçambique: Veja a explicação polémica de Daniel Chapo.

TOP 24 HORAS NEWS

Marcelino S. Francisco é jornalista especializado em economia e políticas públicas. Atua há mais de 8 anos na cobertura de decisões governamentais, mercado financeiro e impacto social das medidas económicas. Já colaborou com portais informativos nacionais e internacionais.

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