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FDS Abatem Cinco Insurgentes em Cabo Delgado

FDS Abatem 5 Insurgentes em Macomia, Cabo Delgado

Base Catupa em Macomia resistiu a invasão. Cinco insurgentes mortos no confronto: FDS abateram cinco insurgentes em Macomia, Cabo Delgado, após tentativa de invasão à base Catupa. Houve feridos nas forças governamentais.

FDS Abatem Cinco Insurgentes em Tentativa de Invasão a Base em Cabo Delgado

As Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique abateram, na terça-feira, pelo menos cinco insurgentes durante uma tentativa de invasão à base militar Catupa, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado. O confronto resultou também em feridos do lado das forças governamentais, embora sem registo de mortes.

O incidente ocorreu por volta das 18h00, quando um grupo de insurgentes tentou assaltar a base militar, desencadeando uma intensa troca de tiros. Segundo fonte militar citada pela agência Lusa, as FDS conseguiram repelir o ataque, anulando as investidas dos atacantes.

FDS Abatem 5 Insurgentes em Macomia, Cabo Delgado

As Forças de Defesa e Segurança envolveram-se numa troca de tiros com supostos terroristas no norte do país, após o grupo de insurgentes ter tentado tomar de assalto a base militar em Macomia. O confronto demonstra a continuidade das atividades insurgentes na província de Cabo Delgado, mesmo após anos de operações militares.

"Os terroristas queriam tomar de assalto a nossa base, mas felizmente ficamos atentos e anulamos as investidas", declarou uma fonte militar a partir de Macomia. A prontidão das FDS foi determinante para repelir o ataque e evitar que a base fosse comprometida.

O incidente, que ocorreu por volta das 18h00 no distrito de Macomia, caracterizou-se por uma intensa troca de tiros entre as forças governamentais e os atacantes. A hora do ataque — ao final da tarde — sugere uma tentativa de aproveitar a transição para o período noturno, tradicionalmente mais favorável a operações insurgentes.

A capacidade de resposta rápida das FDS foi crucial para evitar que os insurgentes alcançassem os seus objetivos, que poderiam incluir a captura de armamento, munições e equipamento militar, ou até a tomada temporária da posição.

Base Catupa Macomia das FADS

A base Catupa, situada no distrito central de Macomia, dista mais de 25 quilómetros da aldeia V Congresso, na estrada Nacional 380, que liga aos distritos mais ao norte da província de Cabo Delgado. Esta posição estratégica torna a base um alvo recorrente para grupos insurgentes.

Segundo informações no terreno, esta não é a primeira vez que insurgentes tentam atacar aquela posição militar. A recorrência dos ataques evidencia a importância estratégica da base para o controlo da região e para as operações de combate à insurgência.

O confronto entre as FDS e os insurgentes resultou em pelo menos cinco insurgentes mortos no local. Outros atacantes ficaram gravemente feridos e conseguiram fugir da zona do combate. "Morreram terroristas no local, pelo menos cinco, outros ficaram gravemente feridos", confirmou a fonte militar.

Do lado das forças governamentais, registaram-se também feridos durante o intenso tiroteio, embora não tenha havido mortes. "Como é guerra houve também feridos do nosso lado, mas não tivemos mortos", acrescentou a fonte.

Quando é que começou insurgência armada em Cabo Delgado?

A insurgência armada em Cabo Delgado começou em outubro de 2017 e continua a representar um desafio significativo para as autoridades moçambicanas. De acordo com o último relatório da organização ACLED (Armed Conflict Location e Event Data Project), com dados de 12 a 25 de janeiro, foram registados 2.310 eventos violentos desde o início do conflito.

Destes eventos, 2.146 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), grupo que reivindica lealdade ao Estado Islâmico e que constitui a principal força insurgente na província. Estes ataques provocaram, em oito anos e meio, 6.432 mortos.

O relatório da ACLED sublinha que o Estado Islâmico Moçambique, no período em análise, "realizou um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia", entre "confrontos contínuos" com as forças do Ruanda, que apoiam os militares moçambicanos no combate aos grupos insurgentes.

As forças ruandesas têm desempenhado um papel importante nas operações de combate à insurgência desde 2021, quando o Ruanda destacou tropas para Cabo Delgado a pedido do governo moçambicano. A sua presença tem sido fundamental para estabilizar algumas áreas da província.

O relatório da ACLED aponta que o grupo insurgente "também se tem concentrado no reabastecimento das suas forças durante a difícil estação chuvosa, particularmente no litoral, onde mantém certa liberdade de movimento por barco".

A época chuvosa em Cabo Delgado cria desafios operacionais para as forças de segurança, com estradas que se tornam intransitáveis e condições meteorológicas adversas. Os insurgentes têm aproveitado este período para reorganização e reabastecimento, especialmente nas zonas costeiras.

Cinco insurgentes abatidos em tentativa de invasão a base militar em Macomia

"Em outros locais, um ataque a uma mina de ouro em Niassa, juntamente com ações de um grupo criminoso em Metuge que se fez passar por insurgentes, ilustram o ambiente cada vez mais complexo em que as forças de segurança precisam de operar", aponta o relatório da ACLED.

Esta complexidade adicional dificulta as operações das FDS, que precisam de distinguir entre: Grupos insurgentes genuínos ligados ao Estado Islâmico, grupos criminosos que se fazem passar por insurgentes, ataques motivados por questões locais ou económicas, operações de banditismo aproveitando a instabilidade.

A insurgência em Cabo Delgado tem provocado uma crise humanitária significativa, com centenas de milhares de pessoas deslocadas internamente. Os 6.432 mortos registados em oito anos e meio de conflito representam apenas parte do custo humano, que inclui também feridos, traumatizados, deslocados e comunidades completamente desarticuladas. A economia da província foi severamente afetada, com projetos de gás natural paralisados e atividades económicas tradicionais interrompidas.

Apoio Internacional no Combate à Estado Islâmico Moçambique

As FDS, com apoio de forças ruandesas e da missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), têm procurado estabilizar a província e criar condições para o regresso das populações deslocadas. Sucessos táticos como a repulsa do ataque à base Catupa são importantes para manter o controlo territorial.

No entanto, a persistência dos ataques, mesmo em áreas onde há presença militar significativa, demonstra que os insurgentes mantêm capacidade operacional e continuam a representar uma ameaça séria à segurança da província.

Além das forças ruandesas, Moçambique tem recebido apoio de outros países e organizações regionais no combate à insurgência em Cabo Delgado. A missão da SADC, embora com recursos limitados, complementa os esforços das forças moçambicanas e ruandesas.

Portugal, Estados Unidos e outros parceiros internacionais têm fornecido formação, equipamento e apoio logístico às FDS. A União Europeia também tem disponibilizado recursos para missões de formação militar.

O abate de cinco insurgentes pelas FDS em Macomia representa mais um episódio no prolongado conflito em Cabo Delgado. A capacidade de repelir o ataque à base Catupa demonstra prontidão das forças de segurança, embora a persistência dos ataques evidencie que a insurgência continua ativa e representa uma ameaça contínua.

FDS repelem ataque em Cabo Delgado. Cinco insurgentes abatidos. Acompanhe os desdobramentos da situação de segurança em Cabo Delgado através de fontes confiáveis. A estabilização da província exige esforços sustentados que combinam operações militares com desenvolvimento socioeconómico e reconciliação.

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Marcelino S. Francisco é jornalista especializado em economia e políticas públicas. Atua há mais de 8 anos na cobertura de decisões governamentais, mercado financeiro e impacto social das medidas económicas. Já colaborou com portais informativos nacionais e internacionais.

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