"

Moradores de Hulene usam tchovas para atravessar ruas alagadas em Maputo

Moradores de Hulene usam tchovas para atravessar ruas alagadas em Maputo

CDDM denuncia drama de residentes que usam carrinhas de carga em ruas alagadas de Maputo: Inundações em Hulene obrigam moradores a pagar 20-40 MT por transporte em carrinhas de carga para atravessar ruas alagadas em Maputo.

Por TOP24HORASNEWS

Moradores de Hulene usam "tchovas" para atravessar ruas alagadas em Maputo

As inundações em Hulene, bairro periférico da cidade de Maputo, continuam a causar transtornos significativos à população local. Moradores estão a recorrer a carrinhas de transporte de mercadorias, conhecidas popularmente como "tchovas", para atravessar as ruas alagadas, pagando entre 20 e 40 meticais por cada travessia.

A situação foi denunciada pelo Centro para Democracia e Direitos Humanos em Moçambique (CDD), que alerta para as condições precárias enfrentadas pelos residentes do bairro. As chuvas intensas das últimas semanas transformaram as vias de acesso em verdadeiros rios, impossibilitando a circulação normal de peões e veículos convencionais.

De acordo com testemunhos recolhidos no local, as inundações em Hulane agravaram-se nos últimos dias, deixando centenas de famílias isoladas e sem acesso a serviços básicos como saúde, educação e comércio.

Tchovas tornam-se alternativa de sobrevivência

Os moradores de Hulene estão a improvisar soluções de mobilidade face à ausência de intervenção das autoridades municipais. As carrinhas de carga, normalmente utilizadas para transporte de mercadorias, tornaram-se a única opção viável para atravessar as ruas alagadas de Maputo.

"Não temos outra escolha. Se não pagarmos pelas tchovas, ficamos presos em casa sem poder trabalhar ou levar as crianças à escola", relatou uma moradora da zona, que preferiu não se identificar.

O custo de 20 a 40 meticais por travessia representa um peso significativo no orçamento familiar de muitas famílias de Hulene, um bairro caracterizado por elevados índices de pobreza e condições habitacionais precárias.

Riscos à saúde e segurança preocupam especialistas

Além do impacto económico, a utilização de carrinhas de transporte de mercadorias para transporte humano levanta sérias preocupações de segurança. Estas viaturas não estão equipadas para transportar pessoas, carecendo de condições mínimas de conforto e proteção.

O CDDM alertou ainda para os riscos sanitários associados às inundações em Hulene, incluindo a possibilidade de surtos de cólera, malária e outras doenças transmitidas pela água contaminada. A organização apelou às autoridades para uma resposta urgente e eficaz.

LEIA TAMBÉM: Ciclone Gezani provoca primeira vítima mortal em Inhambane após queda de coqueiro

Falta de infraestruturas de drenagem agrava situação

O Centro para Democracia e Direitos Humanos em Moçambique documentou extensivamente a situação em Hulene e identificou a falta de infraestruturas adequadas de drenagem como a principal causa das inundações recorrentes no bairro.

Segundo o CDDM, apesar das promessas de melhorias feitas em anos anteriores, os sistemas de escoamento de águas pluviais continuam praticamente inexistentes em grande parte de Hulene, deixando a população vulnerável a cada época de chuvas.

A organização de direitos humanos exigiu que o Conselho Municipal de Maputo apresente um plano de emergência imediato para resolver o problema das inundações em Hulene e invista em soluções permanentes de infraestrutura.

Inundações em Hulene obrigam população a pagar 20-40 meticais por transporte em carrinhas de carga

Moradores de Hulene expressaram frustração com o que consideram abandono sistemático por parte das autoridades. Muitos residentes afirmam que as ruas alagadas de Maputo, particularmente no seu bairro, são um problema crónico que se repete ano após ano sem soluções concretas.

"Pagamos impostos, mas não vemos nenhuma melhoria. As tchovas não são solução, são apenas um negócio que surgiu da nossa desgraça", desabafou um comerciante local. O CDDM sublinha que o acesso a condições dignas de habitação e mobilidade é um direito humano fundamental e que a situação atual em Hulene constitui uma violação desses direitos.

Hulene: Moradores pagam 40MT por tchovas em ruas alagadas

As inundações em Hulene estão a ter repercussões significativas na economia local e na educação das crianças. As previsões meteorológicas indicam a possibilidade de mais precipitação nas próximas semanas, o que pode agravar ainda mais a situação em Hulene. Os moradores temem que, sem intervenção urgente, o problema das inundações em Maputo se prolongue por tempo indeterminado.

O CDDM apelou à comunidade internacional e a organizações humanitárias para prestarem assistência emergencial à população afetada, incluindo distribuição de alimentos, água potável e apoio médico. O drama das inundações em Hulene expõe as fragilidades estruturais e a desigualdade no acesso a serviços básicos em Moçambique.

Enquanto moradores são forçados a pagar para atravessar as próprias ruas onde vivem, utilizando carrinhas de carga improvisadas, o apelo do CDDM por uma resposta urgente das autoridades ganha relevância crítica.

Drama em Hulene: população paga para atravessar próprias ruas ➜ Saiba mais. A situação exige não apenas medidas paliativas imediatas, mas investimentos de longo prazo em infraestruturas que garantam dignidade e segurança à população de Hulene. Acompanhe as atualizações sobre esta e outras notícias importantes em TOP24HORASNEWS.

TOP 24 HORAS NEWS

Marcelino S. Francisco é jornalista especializado em economia e políticas públicas. Atua há mais de 8 anos na cobertura de decisões governamentais, mercado financeiro e impacto social das medidas económicas. Já colaborou com portais informativos nacionais e internacionais.

DEIXA SEU COMENTÁRIO OU OPINIÃO É TÃO IMPORTANTE!

Postagem Anterior Próxima Postagem