POR TOP24HORASNEWS
Presidente da RENAMO diz que contestatários sabotaram eleições e alerta para recolha de 20 mil assinaturas: Momade responsabiliza desmobilizados pelos maus resultados eleitorais da RENAMO e alerta para recolha de assinaturas suspeitas.
Ossufo Momade Acusa Contestatários de Sabotagem Eleitoral e Alerta para Criação de Novo Partido
O presidente da RENAMO, Ossufo Momade, lançou acusações graves contra membros desmobilizados que contestam a sua liderança, responsabilizando-os directamente pelos fracos resultados obtidos pelo partido nas últimas eleições gerais em Moçambique. As declarações foram feitas numa entrevista transmitida pela TV Miramar, no âmbito de um debate parlamentar partidário.
Segundo Ossufo Momade, os contestatários não se limitaram a discordar internamente — foram além, desenvolvendo uma estratégia coordenada para prejudicar a RENAMO nas urnas. "Faziam campanha anti-voto para termos resultados que pudessem ser usados para culpar a liderança", afirmou o líder do maior partido da oposição moçambicana, sempre com o dedo em riste durante a entrevista.
O presidente da RENAMO foi categórico ao afirmar que estes membros dissidentes agiram de forma deliberada e organizada, orientando militantes e simpatizantes a não comparecerem às urnas, numa tentativa de fragilizar a estrutura de poder atual do partido.
O que Ossufo Momade acusa concretamente os contestatários de ter feito?
De acordo com Momade, os dissidentes terão ido mais longe do que uma simples campanha de abstenção. O líder afirmou que "foram eles que provocaram, levaram pessoas e entregaram ao 'cabeludo' enquanto ainda estavam connosco" — referindo-se, nas entrelinhas, a uma alegada colaboração com forças externas ao partido, identificadas pelo apelido popular "cabeludo", numa alusão a figuras ligadas ao conflito armado ou a movimentos dissidentes.
Alerta para Recolha de 20 Mil Assinaturas: Momade Teme Criação de Novo Partido
Além das acusações eleitorais, Ossufo Momade revelou publicamente uma preocupação crescente com a recolha de vinte mil assinaturas que estaria a ser conduzida pelos membros contestatários. Para o presidente da RENAMO, o objectivo vai muito além de uma convocação de congresso interno.
"Não é normal, não é para o Congresso. Eles querem essas assinaturas para criar um novo partido", alertou Momade, reforçando que nenhum membro do partido deveria aderir a essa iniciativa.
O líder da RENAMO fez uma comparação directa com o percurso político de Venâncio Mondlane, candidato presidencial independente que ganhou notoriedade nas eleições de 2024. "Venâncio já fez a mesma coisa, usando os nossos membros", disse Momade, sugerindo que o padrão se repetiria: figuras externas ou dissidentes a instrumentalizarem a base militante da RENAMO para construir plataformas políticas alternativas.
A referência a Mondlane é politicamente significativa, dado o impacto que a sua candidatura teve no eleitorado tradicionalmente associado à RENAMO, especialmente nas zonas centro e norte do país.
O Contexto Interno da RENAMO e os Desafios à Liderança de Momade
A RENAMO atravessa um momento de tensão interna que não é novo, mas que ganhou maior visibilidade após os resultados das eleições gerais de outubro de 2024. O partido, historicamente o principal adversário da FRELIMO, tem visto a sua influência eleitoral ser progressivamente disputada por novos actores políticos.
Ossufo Momade assumiu a liderança do partido após a morte do histórico líder Afonso Dhlakama, em 2018, e tem enfrentado resistência de sectores internos que questionam tanto a sua capacidade de mobilização como as escolhas estratégicas do partido.
As acusações públicas revelam uma crise de coesão interna num partido que necessita de unidade para se afirmar como alternativa de poder. Ao responsabilizar os dissidentes pelos resultados eleitorais, Momade procura proteger a sua liderança de críticas, mas simultaneamente expõe ao público as fragilidades internas da organização — um risco político considerável num ambiente eleitoral em mutação.
Momade fala de sabotagem interna e alerta para ruptura na RENAMO após eleições de 2024
As declarações de Ossufo Momade na TV Miramar revelam um partido em disputa interna acesa, onde as fronteiras entre lealdade e dissidência se tornaram cada vez mais ténues. A RENAMO enfrenta o desafio duplo de recuperar a confiança dos seus eleitores e de manter a coesão de uma estrutura que, segundo o próprio presidente, pode estar a ser minada a partir de dentro.
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